{"id":245,"date":"2017-04-25T06:25:14","date_gmt":"2017-04-25T09:25:14","guid":{"rendered":"https:\/\/dnareference.com.br\/laboratorio\/?p=245"},"modified":"2017-04-25T06:32:19","modified_gmt":"2017-04-25T09:32:19","slug":"dna-sexo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dnareference.com.br\/laboratorio\/2017\/04\/25\/dna-sexo\/","title":{"rendered":"DNA &#038; Sexo"},"content":{"rendered":"<p>Sempre existiu grande curiosidade sobre as origens do homem. A hist\u00f3ria, a arqueologia e a paleontologia muito contribu\u00edram no passado, enquanto a ling\u00fc\u00edstica e a gen\u00e9tica forense participam das mais recentes descobertas cient\u00edficas.<\/p>\n<p>O estudo da individualidade humana por interm\u00e9dio do DNA permite servi\u00e7os relevantes nos casos de investiga\u00e7\u00e3o de paternidade, na identifica\u00e7\u00e3o de restos mortais, de crimes e na pesquisa de nossas origens. O DNA vem sendo transmitido ao longo das gera\u00e7\u00f5es, possibilitando que pequenas diferen\u00e7as aconte\u00e7am, fruto de muta\u00e7\u00f5es eventuais. Por menor que seja o grau de muta\u00e7\u00e3o de um gene, ao longo de milhares de fecunda\u00e7\u00f5es sempre haver\u00e1 a possibilidade da diversidade, explicando o extremo polimorfismo gen\u00e9tico do homem.<\/p>\n<p>Recentemente foi descoberto que no cromossomo masculino Y existem locais que identificam um perfil familiar gen\u00e9tico, espec\u00edfico para os membros do sexo masculino. Dessa maneira, o estudo desses marcadores do DNA do cromossomo Y (STRs) identifica um padr\u00e3o que se estende por muitas gera\u00e7\u00f5es, talvez por mais de 500 anos. Sendo assim, todos os descendentes e ascendentes de um determinado indiv\u00edduo masculino possuem um padr\u00e3o de cromossomo Y id\u00eantico. O motivo desta conserva\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionado com a relativa baixa taxa de recombina\u00e7\u00f5es no cromossomo Y.<\/p>\n<p>Um estudo realizado pelo Prof. Chris Tyler-Smith da Universidade de Oxford permitiu a identifica\u00e7\u00e3o do conjunto de genes do cromossomo Y do Gengis Khan. As amostras utilizadas foram da popula\u00e7\u00e3o masculina da Mong\u00f3lia, levando-se em conta que o guerreiro mongol teve mais de cem filhos, assim como sua prole teve outros milhares de filhos com o mesmo perfil gen\u00e9tico nos marcadores do Y, espalhando essas caracter\u00edsticas encontradas, na atualidade, entre muitos homens mong\u00f3is. A pesquisa foi apresentada no \u00faltimo congresso da Sociedade Internacional de Gen\u00e9tica Forense, realizado em Munster, Alemanha.<\/p>\n<p>O conhecimento desse padr\u00e3o gen\u00e9tico, imut\u00e1vel por muitas gera\u00e7\u00f5es, permite o estudo de casos de investiga\u00e7\u00e3o de paternidade por interm\u00e9dio de descendentes afastados de pessoas j\u00e1 falecidas, como sobrinhos, primos entre outros, desde que sejam da mesma linhagem masculina. A compara\u00e7\u00e3o do DNA do Y do suposto filho com o de um primo ou um neto do falecido pretenso pai poder\u00e1 dar luz em processo de filia\u00e7\u00e3o, acompanhado ou n\u00e3o da exuma\u00e7\u00e3o do \u00faltimo. Recentemente, realizamos um teste de paternidade ap\u00f3s a exuma\u00e7\u00e3o do poss\u00edvel pai, utilizando-se o DNA extra\u00eddo de seus dentes molares. Utilizamos a t\u00e9cnica de amplifica\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica de regi\u00f5es chamadas microssat\u00e9lites do cromossomo X do sangue do suposto filho e da polpa dent\u00e1ria do falecido. Ao mesmo tempo examinamos os marcadores do Y do sangue do suposto filho, comparando-se com o de um neto do falecido. A exclus\u00e3o da paternidade foi facilmente determinada.<\/p>\n<p>Outra aplica\u00e7\u00e3o importante da an\u00e1lise do DNA do Y \u00e9 a identifica\u00e7\u00e3o de estupradores, a partir de amostras da secre\u00e7\u00e3o vaginal da v\u00edtima. Como os marcadores do Y s\u00e3o de origem masculina, a identifica\u00e7\u00e3o do perfil gen\u00e9tico encontrado ser\u00e1 obrigatoriamente do estuprador (DNA das c\u00e9lulas do s\u00eamen), n\u00e3o podendo ser confundido com o DNA da v\u00edtima, por ser mulher. Um dos pr\u00e9-requisitos para esse tipo de exame \u00e9 colher a amostra vaginal nas primeiras vinte quatro horas do assalto sexual.<\/p>\n<p>Cada alelo ou marcador do Y de determinado local do DNA apresenta uma freq\u00fc\u00eancia na popula\u00e7\u00e3o, existindo bancos de dados especializados. Caso examinarmos sete ou mais locos ou locais do DNA do Y, poderemos conhecer a freq\u00fc\u00eancia do conjunto dos sete marcadores na popula\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 traduzido por um n\u00famero muito pequeno, favorecendo afirmar que existe rela\u00e7\u00e3o entre duas pessoas id\u00eanticas no perfil do DNA do Y.<\/p>\n<p>Por outro lado, existe o DNA mitocondrial (mDNA) presente em corp\u00fasculos chamados mitoc\u00f4ndrias. Estes corp\u00fasculos s\u00e3o encontrados somente no citoplasma das c\u00e9lulas, e nunca no n\u00facleo onde residem os cromossomos, inclusive o cromossomo Y. A quantidade existente de mDNA por c\u00e9lula \u00e9 substancial, sendo que uma c\u00e9lula pode possuir at\u00e9 10000 c\u00f3pias deste mDNA. Como o DNA mitocondrial s\u00f3 \u00e9 passado para a gera\u00e7\u00e3o seguinte atrav\u00e9s do \u00f3vulo e nunca atrav\u00e9s do esperma, a an\u00e1lise do DNA mitocondrial permite a identifica\u00e7\u00e3o do perfil gen\u00e9tico de heran\u00e7a materna e, portanto, n\u00e3o serve para investiga\u00e7\u00e3o de paternidade, mas somente para a de maternidade. Uma vez conhecida \u00e0 seq\u00fc\u00eancia do mDNA de uma mulher \u00e9 poss\u00edvel identificar todas as pessoas aparentadas com a mesma. O mDNA possibilita a identifica\u00e7\u00e3o de pessoas por compara\u00e7\u00e3o de seq\u00fc\u00eancias dessas mol\u00e9culas extra\u00eddas de ossos, dentes ou qualquer outro tecido com seq\u00fc\u00eancias de poss\u00edveis membros da mesma fam\u00edlia. Devido ao alto n\u00famero de c\u00f3pias por c\u00e9lulas do mDNA, uma de suas caracter\u00edsticas \u00e9 a de se poder realizar testes em ossos muito antigos e at\u00e9 num \u00fanico fio de cabelo. Ao contr\u00e1rio do DNA gen\u00f4mico, o mDNA \u00e9 encontrado na haste dos cabelos em grande quantidade.<\/p>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o dos restos mortais do Tsar Nicolai II e de toda a fam\u00edlia Romanov aconteceu por interm\u00e9dio dos testes de mDNA. Outro exemplo recente foi \u00e0 an\u00e1lise pelo mDNA de dois cr\u00e2nios com a idade de 500 anos encontrados no Jap\u00e3o. Na Argentina v\u00e1rios filhos dos \u201cdesaparecidos\u201d foram identificados por compara\u00e7\u00e3o de seus mDNA com os de suas poss\u00edveis av\u00f3s que s\u00e3o as m\u00e3es da Pra\u00e7a de Maio.<\/p>\n<p>A antropologia recebeu um grande impulso com o estudo do mDNA, possibilitando analisar a migra\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es para diversas regi\u00f5es geogr\u00e1ficas, inclusive sugerindo \u00e0 exist\u00eancia de uma Eva Africana nascida h\u00e1 cerca de 200 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p><em><strong>Autor: Dr. Luiz Fernando Jobim<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre existiu grande curiosidade sobre as origens do homem. A hist\u00f3ria, a arqueologia e a paleontologia muito contribu\u00edram no passado, enquanto a ling\u00fc\u00edstica e a gen\u00e9tica forense participam das mais recentes descobertas cient\u00edficas. 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